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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Observadores de aves reúnem dados sobre os bichos em rede global

John Burgess/The Press Democrat/Associated Press

Na margem de um pequeno lago, Bob Martinka direcionou seu binóculo para um choupo majestoso, carregado de ninhos de garças-azuis. Ele contou doze aves altas e graciosas. Tirou do bolso seu smartphone e digitou o número e as espécies avistadas num aplicativo, que enviou as informações para pesquisadores em Nova York.

Biólogo aposentado e ávido observador de aves, Martinka é membro da rede ornitológica global eBird. Com frequência, ele parte para as montanhas para observar aves e depois reporta o que viu para o Laboratório Cornell de Ornitologia, organização sem fins lucrativos com sede em Ithaca, em Nova York. "Com frequência vejo gaivotas raras no lixão", contou.

Hoje, dezenas de milhares de pessoas funcionam como "sensores biológicos", segundo o laboratório, relatando onde, quando, quantas e quais aves observaram. Essas informações, colhidas aos milhões, proporcionam aos cientistas um quadro amplo, possivelmente a primeira visão em tempo real de populações de aves em todo o mundo, obtida com "crowdsourcing" [ou seja, com a colaboração de muitas pessoas].

A rede eBird já compilou 141 milhões de relatos, ou bits, e esse número cresce 40% ao ano. Em maio, a rede colheu 5,6 milhões de observações vindas de 169 países.

Aves são difíceis de contar. Até o advento da eBird, que começou a colher dados globais diários em 2002, o único método era o das chamadas contagens de um dia.

O relato diário da movimentação de aves pela rede eBird vem proporcionando revelações aos cientistas. O produto mais informativo é um "heat map" [mapa de calor]: imagem impactante da presença de aves, representadas em tonalidades de laranja de acordo com sua densidade, movimentando-se pelo espaço e pelo tempo sobre mapas negros. Mais de 300 espécies já têm "heat maps".

"Com o 'heat map', nossa visão das populações e de seus movimentos mudou", disse John W. Fitzpatrick, diretor do Laboratório Cornell. Por exemplo, durante muito tempo pensou-se que os EUA tivessem apenas uma população de "orchard orioles" [Icterus spurius, semelhante ao papa-figo]. Os "heat maps" mostraram que havia uma distância entre os lugares onde as aves tinham sido avistadas, indicando que havia não uma, mas duas populações geneticamente distintas.

O laboratório Cornell contratou ornitólogos especializados para percorrer o mundo treinando pessoas como Bob Martinka no uso da metodologia. Quinhentos voluntários analisam a precisão dos dados enviados pelos observadores, rejeitando cerca de 2% deles.

O professor de ornitologia na Universidade de Utah Cagan H. Sekercioglu, que usou dados semelhantes de observadores de aves em seu próprio país, a Turquia, para estudar os efeitos das mudanças climáticas sobre as aves, descreveu a eBird como um "recurso fenomenal". Ele disse que a rede está "fomentando o envolvimento de jovens com a história natural, algo que pode parecer antiquado e lento na era da gratificação on-line instantânea".

O que torna os dados da eBird passíveis de utilização é uma combinação de software e de hardware que vasculha disparidades, brechas e falhas na coleta de dados, melhorando o sistema à medida que ele é utilizado.

Alguns especialistas questionam a validade da eBird. O biólogo John Sauer, do Serviço Geológico dos EUA, diz que falta rigor científico aos relatórios dos observadores de aves. Em lugar de aleatoriedade, disse ele, "são recebidas muitas observações dos lugares onde as pessoas gostam de ir".

A eBird está sendo usada também para a compreensão de outras transformações no mundo natural e como marcador da saúde da biodiversidade geral. Na Califórnia, dados da rede estão sendo usados para decidir em que áreas erguer novos empreendimentos imobiliários. Já no Reino Unido, informações de lá foram combinadas com dados do programa BirdTrack, que utiliza imagens de radar, modelos climáticos e microfones em prédios para gravar os sons de aves migratórias.

Para os observadores de aves, o projeto eBird imbuiu seu passatempo de um novo senso de objetivo. Bob Martinka comentou: "Quer você veja uma ave ou mil, é importante".

New York Times/Folha de São Paulo
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