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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

MS: Independente de Piracema, 80% do pescado vendido na Capital é de fora

Dourado é uma das espécies presente nos rios do Estado que começa a
desaparecer das peixarias da Capital (Foto: Cleber Gellio)
Depois de quatro dias do início da piracema nos rios de Mato Grosso do Sul, equipes da PMA (Polícia Militar Ambiental) iniciaram as fiscalizações em peixarias e estabelecimentos que comercializam pescado. Durante os trabalhos, um dado chama a atenção, cerca de 80% dos peixes comercializados na Capital não são pescados nos rios do Estado.

Fiscalização começou hoje e segue
até o fim da piracema (Foto: Cleber Gellio)
O subtenente Manuel Alencar explica que o motivo da compra externa do pescado é em razão da baixa oferta dos peixes. “Muitos exemplares são comercializados na própria região dos rios e outros para turistas, assim muitos acabam adquirindo da região norte do país”, explica.


Com 21 anos de experiência no mercado, Luiz Moura, 56 anos, teve a peixaria, localizada na Avenida Guaicurus, fiscalizada na manhã de hoje. “Eu sempre me preparo para as fiscalizações, mas no meu estabelecimento a maioria é de fora. Se tenho 10% de peixes dos rios daqui é muito”, explica.
O motivo da preferência pelo pescado não nativo, na opinião do comerciante, é o preço dos exemplares. “Tudo é consumido pelos turistas, fica bastante caro comprar esses peixes. Eu prefiro trazer de fora”, diz o comerciante.

A fiscalização que teve início nesta quinta-feira (8) consiste em conferir se os pescados em estoque nos estabelecimentos são os mesmos declarados pelos proprietários antes do período de proibição das pescas.

Luiz estocou 18 toneladas para o
período e terá que recorrer aos peixes
de fora do Estado (Foto: Cleber Gelio)
Dono da Peixaria MS, localizada no Trevo Imbirussu da Capital, Luiz Carlos Barbosa, 58, faz uma preparação de três meses para a piracema. “Eu estou com 18 toneladas de pescado que começou a ser estocada em agosto. Nós fazemos todo um trabalho para que não falte”, ressalta o proprietário.

Apesar da câmara fria lotada, Luiz garante que o estoque chegará ao fim até o mês de fevereiro, quando a piracema chega ao fim. “Quando acabar iremos recorrer ao pescado de fora do estado”, explica.

Além dos altos preços e do consumo por parte dos turistas, outra justificativa sobre a falta de pescado nativo no comércio de Campo Grande é a escassez dos exemplares. “A cada ano está diminuindo os peixes do Estado. Esse ano, por exemplo, eu não recebi pirarucu, piratputanga e pacu amarelo. O jeito é recorrer aos peixes do norte do país”.

Nos primeiros trabalhos da PMA na manhã de hoje, nenhuma infração foi identificada nas peixarias. Segundo a corporação, qualquer irregularidade encontrada nos locais faz com que todo o estoque dos estabelecimentos seja apreendido. O responsável pelos peixes é detido e encaminhado para a delegacia e pode responder por crime ambiental.

Campo Grande News




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