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sábado, 1 de fevereiro de 2014

ES: Aumento do recolhimento de embalagens de agrotóxicos indica maior uso do produto

Sistema Campo Limpo registrou aumento de 24% no recolhimento de embalagens vazias em 2013


Em 2013, houve um aumento de 24% no recolhimento de toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos no Espírito Santo feito pelo Sistema Campo Limpo. A estatística está acima do registrado em todo o país, que foi de 8%, e corresponde a 296 toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos. Segundo o coordenador regional de Operações do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), Jair Furlan, os resultados obtidos demonstram que o Sistema Campo Limpo vem acompanhando o crescimento e desenvolvimento do agronegócio na região.

De fato, o agronegócio segue expandindo o uso de venenos em suas lavouras, sobretudo no período após as fortes chuvas de 2013, como afirma a coordenação estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), época que foi propícia para o crescimento de mato nas plantações, o que é combatido pelos latifundiários com o uso de agrotóxicos. O MPA afirma que segue aumentando a utilização desses químicos nas lavouras capixabas e a "comemoração" em razão do recolhimento cada vez maior de embalagens é um processo sem sentido, porque significa que o impacto do veneno é evitado com o recolhimento, mas o veneno que estava embalado foi despejado em algum lugar, contaminando o solo, a água, o ar e os alimentos que são consumidos pela população.

Desde 2008 o Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos, embora não seja o maior produtor agrícola. Espírito Santo é o terceiro estado na aplicação de agroquímicos. Assim como ocorre no país, os movimentos do campo defendem a proibição da comercialização, uso e aplicação de agrotóxicos que já são proibidos fora do Brasil e a proibição da pulverização aérea em municípios do norte capixaba, onde já foram registrados graves casos de contaminação nos últimos anos.

O uso indiscriminado e sem cuidados de agrotóxicos pode provocar a intoxicação dos trabalhadores com diferentes graus de severidade e ainda levar à depressão e até ao suicídio. Também há registros de diminuição das defesas imunológicas, anemia, impotência sexual, cefaleia, insônia, alterações de pressão arterial, distimia (espécie de depressão crônica) e distúrbios de comportamento.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão responsável por liberar tais produtos no país, informa que o mercado brasileiro de agrotóxicos cresceu 190% nos últimos 10 anos, um ritmo muito mais acentuado do que o do mercado mundial, que foi de 93% no mesmo período. A safra 2010/2011 teve um consumo somado de herbicidas, inseticidas e fungicidas, entre outros, de 936 mil toneladas, que movimentou 8,5 bilhões de dólares no país. Não à toa, o Brasil responde por 20% do consumo mundial total desses venenos.

No Brasil, a soja concentra 40% do volume total de venenos agrícolas, em seguida aparece o milho (15%) e depois o algodão (10%). Entre os alimentos com taxas mais elevadas de veneno estão a cana de açúcar, o tomate, a uva, a alface e o pepino.

Segundo reportagem publicada no jornal O Globo dessa quinta-feira (30), somente 13 alimentos foram monitorados pela Anvisa em 2012 - segundo a agência, são os mais consumidos pela população. Ainda segundo a matéria, há registros nos ministérios da Saúde, da Agricultura e do Meio Ambiente de 434 ingredientes ativos e 2.400 formulações de agrotóxicos, que são permitidos. Dos 50 mais utilizados, 22 são proibidos pela União Europeia, sendo que nenhum registro de agrotóxico no país tem prazo de validade e só pode ser retirado ou alterado caso haja uma modificação no perfil de segurança do produto. O jornal também destaca que outro problema é o contrabando de produtos de origem chinesa, que entram no Brasil pelos vizinhos Paraguai e Uruguai.

Relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) da Anvisa apontou índices elevados de agrotóxicos em seis alimentos no Espírito Santo: pepino, alface, arroz, tomate, uva e abacaxi, referentes aos anos de 2011 e 2012. Ao todo, no Estado, a Anvisa analisou 67 amostras de alimentos em 2011, das quais 22 foram consideradas insatisfatórias. Em 2012, foram 77 amostras coletadas de alimentos – diversos e não necessariamente os mesmos do ano anterior –, dos quais 18 amostras foram consideradas insatisfatórias. No mesmo ano, todos os resultados insatisfatórios das amostras de alimentos como a cenoura e o arroz foram devido à presença de agrotóxicos não autorizados para estas culturas.

Em âmbito nacional, no mesmo relatório, foi registrado o uso de aldicarbe em uma amostra de arroz. O aldicarbe é o ingrediente ativo de maior toxicidade aguda dentre todos os agrotóxicos de uso agrícola e muito conhecido por ser usado como raticida ilegal, o popular “chumbinho”. Em amostras de uva, foram registrados os ingredientes ativos tebufempirade e azaconazol, que nunca foram registrados no país. Por isso, o seu uso sugeriu a ocorrência de contrabando. No ano de 2012, todos os resultados insatisfatórios das amostras de alimentos, caso da cenoura e do arroz, por exemplo, foram devido à presença de agrotóxicos não autorizados para estas culturas.

Segundo a Anvisa, atualmente 130 empresas atuam no setor de agrotóxicos e, destas, 96 estão instaladas no país. Mas só as dez maiores empresas do setor foram responsáveis por 75% das vendas de agrotóxicos na última safra.

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